APRESENTAÇÃO
O Congresso Linguagens e Identidades Amazônicas (LIA) vem se constituindo como um evento com diferentes temáticas referentes aos pluriversos amazônicos em suas diferentes singularidades, com perspectivas interdisciplinares e interculturais em relação às linguagens e às culturas Amazônicas e Pan-Amazônicas.
Organizado pelo Programa de Pós-graduação em Letras: Linguagem e Identidade (PPGLI) da Universidade Federal do Acre (UFAC), o LIA tem se notabilizado por discussões centradas nos rizomas – possibilidades de vir a ser e de estar – que configuram as existências de sujeites, de sujeitas e de sujeitos nos interregnos das confabulações em torno de filosofias, políticas, linguagens e culturas. Em meio a essas invenções acadêmicas margeiam seres invisíveis perante às regras e aos modos de produção e transmissão de saberes e poderes; seres oriundos de diferentes camadas sociais.
Nesta décima sétima edição do LIA, convidamos as comunidades acadêmicas e não acadêmicas refletir sobre os devires surdes/surdas/surdos em sua subversão da idealizada lógica que coloca, de um lado, a pessoa ouvinte e, do outro lado, a pessoa surda. Nesse convite, movimentamos nossa percepção, nosso sendo, nosso desejo de apreender o mundo, as coisas e os signos do mundo pelo prisma do espaço, dos sinais, dos gestos, dos afetos, do devir surde, do devir surda e do devir surdo, que são os devires da pluridiversidade linguística.
O que buscamos é confrontar a lógica binária de uma idealizada identidade surda versus uma também idealizada identidade ouvinte; confrontar os protocolos da inclusão que exclui, da lógica do gueto, da antipolítica que encapsula a diferença em códigos alienantes da atipicidade ou da pessoa com deficiência, do estereótipo da pessoa sem língua, em ambientes de universidades e escolas.
Assim, no contexto do XVII LIA, as conferências, as mesas-redondas serão compostas por pessoas surdes/surdas/surdos que, por meio de suas performances linguísticas, propiciarão formas de transmissão de conhecimentos para as pessoas ouvintes, subvertendo a lógica hegemônica da fala de pessoas ouvintes dirigida às pessoas surdas sob a mediação de tradutores-intérpretes.