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RIO BRANCO

ordinária e cotidiana

Danilo de S'Acre

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Para fotografar na rua, o êxito é ter uma imagem espontânea, às escondidas. A gente se torna um ‘ladrão’ de imagens. Há algo de perversidade nisso, como disse Diane Arbus.”

Nome

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Rio Branco: ordinária e cotididiana

Um flautista na rodoviária, estátua de Plácido de Castro usando máscara cirúrgica, manequins gastos encostados na parede do Colégio Acreano.

 

A visão panorâmica não é o tema dessa exposição virtual. Antes, o cotidiano, composto e sobreposto de diferentes camadas situadas em espaços e temporalidades diferentes. Camadas que conversam, que se repelem e que terminam por co-existir apesar de origens opostas, no jogo de contraste e luz do não colorido das imagens.

 

Danilo de S’Acre é artista visual e poeta. Mas, em se tratando de fotografia, ele se intitula um ladrão discreto de imagens: “Para fotografar na rua, o êxito é ter uma imagem espontânea, às escondidas. A gente se torna um ‘ladrão’ de imagens. Há algo de perversidade nisso, como disse Diane Arbus.”[1]

 

Como um praticante da fotografia taciturna, Danilo se arrisca porque persegue o ordinário: “Não daria tempo de negociar uso de imagem e fazer um registro espontâneo, ‘o momento decisivo’. Ou fazer a foto e depois correr atrás da pessoa e negociar o tal uso de imagem. Deixemos a mercê da sorte ou do azar.”[2]

 

Na sua fotografia marginal e silenciosa, busca uma cidade em becos e vielas, em stencils furtivos que marcam prédios públicos, em uma família esperando ônibus, em conversas com estátuas desamparadas. A cidade de Danilo se encontra ao mesmo tempo na poluição do Rio Acre, nos desalinhos dos trapiches, no sobe e desce de barrancos, no movimento dos catraieiros, nas catraias e barcos encalhados. É no meio dessas camadas - e sempre em mais de um plano, que ele te encontra: quando você volta do trabalho, vende algodão doce, amarra o cabelo, carrega as compras, manda mensagem pelo celular, dobra a calça para atravessar a alagação ou, simplesmente, contempla o rio na encosta do Novo Mercado Velho.

 

Por entre um elo de corrente, uma planta de galhos secos, um reflexo no retrovisor do carro, Danilo compõe o inusitado, o ignoto, aquilo com que não se perde tempo hoje em dia, mas que se revela envolvente como a brisa em uma sombra. 

 

Longe de uma apologia ao atomismo, como nos lembra Michel de Certeau, o que percebemos no conjunto das polaroides digitais de Danilo de S’Acre é o movimento – ignorado, porque ordinário e cotidiano - da cidade ou das pessoas na/da cidade.

 

Não fosse a pandemia de Covid 19, o Congresso de Linguagens e Identidades Amazônicas estaria ocorrendo presencialmente na cidade de Rio Branco, Acre, na parte mais sul-ocidental da Amazônia brasileira. Pesquisadores e pesquisadoras de 20 dos 26 estados brasileiros e de outros países, inscritos no evento, que não terão a chance de conhecer a cidade nesta ocasião, estão convidad@s, assim como @s demais participantes, a (re)conhecer Rio Branco pela lente e pelo olhar fora da lei de Danilo.

Desejo a tod@s um inquietante passeio.

 

[1] DE S’ACRE, Danilo. Relicário visual do acaso. Usina Infomarte. Revista da Usina de Arte João Donato. Outubro de 2020. N. 2. p. 9.

[2] Idem.

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DANILO
De S'Acre

Curadoria

Raquel Ishii

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